segunda-feira, 17 de abril de 2017

Minha Fortaleza

Foto minha

Minha fortaleza é vazia.
É chegar em casa depois de um dia na faculdade e apenas usar minha voz no dia seguinte.
É olhar para as paredes do apartamento e ver apenas as paredes do apartamento.
É saber que ninguém vai ter preparado minha cama quando eu chegar em casa mais tarde.
É não ter ninguém para me mandar estudar, ou lavar a louça.

Minha fortaleza é silêncio.
É precisar por música nos fones de ouvido para notar o tempo passar.
É escutar a minha respiração enquanto leio.
É o tique apavorante de algo pingando em outro apartamento.
É a sensação gostosa de fechar os olhos e apenas escutar o ar.
Minha fortaleza também é barulho.
É o arrastar dos pombos durante a noite no meu telhado.
São os carros engarrafados às seis e meia da manhã.
São os trabalhadores do depósito ao lado conversando enquanto montam cubos plásticos.
É a dona Emília falando ao telefone às sete da noite.

Minha fortaleza é lotada.
É não se sentir só, mesmo estando só.
É ter com quem conversar, não importa o horário.
É fazer uma tarde com os amigos se tornar uma festa com mais de vinte pessoas.

Minha fortaleza é o lugar que eu odeio e amo. É onde eu quero passar minha vida, mas não vejo a hora de deixar.
Minha fortaleza tem vários cheiros, muitas cores e muito mais que aquilo que eu pedi.

domingo, 16 de abril de 2017

A Fortaleza pra quem não mora aqui(lá)

A Fortaleza de quem não mora aqui(lá).

Fortaleza foi feita para o turista. Uma semana não é suficiente para conhecer tanta coisa boa que a "terrinha" tem. Eu que venho todos os dias da serra pra capital, assisto da janela do ônibus ou do carro, o filme que é essa cidade. Bairros onde o desenvolvimento não chegou, bairros onde o futuro é hoje.

Da grande periferia ao pequeno centro econômico. Do Bom Jardim à Aldeota, todos os dias uma nova história. A cidade que não é justa, onde os poderosos estão concentrados, cercados e engolidos pela periferia. Mas a burguesia se redime e aplaude o talento que sai das palmas do Conjunto Palmeiras.

A capital das praias e do verão, a única estação, pra refrescar, só o vento pra amenizar. Essa terra tem muita coisa e gente boa, muita gente da cabeça chata, mas que leva no peito a essência do cearense de tudo fazer piada.

É aqui, é daqui, é de lá que eu vou viver.

sábado, 15 de abril de 2017

Minhas Fortalezas

Na verdade Fortaleza são várias Fortalezas.
Vamos começar pela Fortaleza das praias: nela está sempre ensolarado, o mar tem uma maré agradável onde banhistas e surfistas se deleitam. As crianças brincam na areia e nas piscinas salgadas feitas pelo próprio mar. O vendedor de picolé, camarão, coco ou bijuterias, passa chamando a atenção. E ali, naquele momento, Fortaleza tem uma linda versão.
 Agora vejamos a grande e agitada Fortaleza, onde o movimento nas ruas começa cedo, e ás 7:30 da matina já existem engarrafamentos que tiram a paciência de trabalhadores e estudantes. E enquanto o engarrafamento para a cidade, sua aparência continua em movimento: lojas abrem e fecham, outdoors são trocados, prédios são demolidos e construídos, muros são pichados e pintados. E o fortalezense, apressado, nem percebe. 
Toda cidade tem seu lado miserável e a minha fortaleza não é diferente. Nessa Fortaleza existem favelas que abrigam uma parcela considerável, porém esquecida da cidade. Esquecida propositalmente. Uma parte da cidade onde pessoas vivem em casas precárias, se tiverem um lugar pra chamar de casa. Essa  Fortaleza  está em todos os lugares: Na criança que pede dinheiro no sinal, no rapaz que limpa vidros de carros por alguns trocados, está na pessoa que, enquanto estamos em um restaurante ou em uma festa curtindo a noite,está na rua a noite toda ´guardando´ nossos carros. Pessoas que nos negamos a enxergar.  
Enfim, essas são as Fortalezas que  vivo, além daquela que muitas vezes me apresenta mais dificuldades do que eu gostaria. Não tenho amor por Fortaleza, mas é aqui que amo viver.

Iana Couto 

quinta-feira, 13 de abril de 2017

A TERRINHA AMADA

A imagem pode conter: atividades ao ar livre
Foto: Luana Maciel.



Fortaleza é aquele lugar no qual posso ir e passar o tempo que for em qualquer lugar, mas que na hora do regresso me recebe com aquele abraço afetuoso que só uma mãe sabe dar a um filho.

Fortaleza um lugar que me convida a descobri-lo (principalmente por duas rodas) atravessando de uma ponta a outra mas sempre terminando com um maravilhoso por do sol acompanhado com água de coco na Ponte Metálica. 

Do pirata na segunda a Praia do Futuro no domingo. Fortaleza é aquele lugar onde todo dia tem uma programação diferente pra todo mundo.  Mesmo sendo daqui, sempre que posso me convido (e te convido também) a sempre descobrir esse lugar de uma maneira diferente, pois sinto que sua essência é enorme e sempre há coisa nova a ser explorada. 

No mais, o que eu sinto por essa cidade é GRATIDÃO. Sim, gratidão. Por ter nascido e morar aqui, por me proporcionar momentos de felicidade, por me abrigar e por tantas coisas mais. Obrigada, terrinha, obrigada!



terça-feira, 11 de abril de 2017

Pelos bairros de onde velejo



Foto: Iara Pereira


Já passei por ruas e calçadas.

Meu Lago Jacarey, está nos primeiros passos, os fins de semanas pedidos pelas brincadeiras e travessuras aos redores do bairro.
Minha Boa Vista, tem a inocência, as etapas de onde eu cresci, a terra molhada e o ruído dos caminhões que por ali trilharam.
Passo por São Miguel, o chão quente e meus pés descalços, indo a budega comprar um pirulito. Cinco horas da tarde. Dia a dia. Observo minha mãe e os vizinhos sentados na calçada. Nos rostos, sempre as mesmas expressões.
Trilho por Mondubim, eu cresço e desvendo as ruas largas, os sinais, o trânsito, o movimento. O concreto dos muros e o excesso de informações pelas avenidas.
Lagoa Redonda, ah... onde eu me deixo ao encontro da melhor vista para o pôr do sol, não há prédios, não há fiações. Ali, o laranja se torna o único presente no meu olhar.
Paro enfim a minha querida e não tão velha, Sapiranga. Ela está sempre calma, nas ruas eu olho para o chão, vejo a areia das dunas e percebo que o mar está ali, logo perto. É onde eu fico, é onde eu moro.
Os meus bairros, por onde eu passei, fizeram parte de mim, do meu crescimento, de quem eu sou, é a minha Fortaleza. Sou parte.
Os pés descalços.
Caminho.
Espero nunca parar.



segunda-feira, 10 de abril de 2017

A "Lagoa Comprida"


Tendo-me em seus braços, e residindo eu no mesmo bairro (papicu, que significa lagoa comprida) desde o meu nascimento, Fortaleza é  para mim, como um colo de mãe. Um lugar  que, não importa como estamos com nossas vidas ou de onde viemos,faz questão de estar sempre acolhendo, mesmo nos pequenos gestos (como frases de amor espalhadas pela cidade).
Andando por suas ruas (e/ou bairros), e me perdendo em muitas também,vejo o quanto esta cidade tem história para contar em cada uma delas, e por que não me sentir parte disso? Fortaleza seduz aos olhos com suas cores e com lugares que, até mesmo nos pontos turísticos, me encantam como se fosse a primeira vez e que carregam consigo tantas lembranças quanto um álbum de família. Claro, hipócrita seria se continuasse a falar apenas do belo, Fortaleza tem sim muito a corrigir e atualizar-se. Mas vê-se uma população e seus responsáveis lutando dia a dia para torna-la melhor.
Por fim, justamente por não ter percorrido tudo que Fortaleza tem a mostrar e por saber que ainda tem muito a ser percorrido neste grande lar, como um aventureiro, me faço disposto a querer desvendá-la. E mesmo quando crer que esse lar se tornará rotina, continuarei a procurar algo que novo que volte a mim, um olhar de quem vê pela primeira vez.

-Davi Saraiva
Foto tirada do celular

Fortaleza e suas faces

Foto tirada pelo celular.
Fortaleza pra mim tem várias faces, que foram se revelando conforme eu crescia e melhor a conhecia. Comecei a ter minha percepção de cidade como uma com identidade ambígua, pois até hoje tenho dúvidas se devo chamar meu bairro de Parque Dois Irmãos ou de Planalto Itaperi, sendo um o nome oficial e o outro o nome utilizado de verdade, na boca do povo ou nomes de comércios locais, logo quando preciso anotar meu endereço, para garantir, coloco ambos.
Foi essa identidade controversa que logo tornou uma infância brincando na rua, onde aproveitei muito com as outras crianças, em uma logo descoberta de uma nova face da cidade, que seria o medo. Aos sete anos estava brincando no quintal, quando um garoto encostou na grade de minha casa, pedindo para brincar com a lupa que eu estava na mão, ao emprestar, ele saiu correndo, e foi nesse dia que descobri que meu bairro era um lugar perigoso. Hoje no lugar das grades há muros.

Hoje permeio entre os espaços urbanos conhecendo os locais seguros e os não, tentando aproveitar as pequenas liberdades que a cidade promove, sendo elas a maioria de caráter não planejadas ou intencionais. E apesar de ainda ter que olhar para os dois lados toda vez que preciso abrir a porta, vejo como minha realidade é apenas uma parcela das possibilidades da cidade.

por Lucas Esmeraldo

Fortaleza e Eu

Foto: Captura de tela do Google Maps.
Fortaleza representa para mim um sentimento de estar em casa. Eu sei, é clichê descrevê-la assim, mas não poderia ser diferente. Afinal, a vida toda morei aqui, na mesma casa, no mesmo bairro. Minha relação com a cidade é limitada à “bolha territorial” na qual estou inserido. Escola, curso de inglês, faculdade, trabalho... Tudo acabou se concentrando em uma mesma região da cidade, por isso sinto que a “minha Fortaleza” é menor.

Meu contato com outros bairros é sempre resultado de alguma atividade, seja uma festa, seja um passeio qualquer, ou até mesmo uma saída fotográfica, hobby do qual gosto muito. Este hobby me permitiu explorar um pouco mais a cidade, andar por lugares que não andaria normalmente. Mesmo assim, ainda sinto que conheço muito pouco de Fortaleza. Vez ou outra me perco pelas ruas e quem me socorre é o velho e bom GPS. Nesses momentos, a impressão que tenho é que ao sair da minha “bolha” me torno um turista na minha própria cidade.

No fim das contas, para mim, Fortaleza é como aquela pessoa com a qual você convive todos os dias, mas que não conhece tão bem quanto poderia conhecer. Quem sabe um dia isso mude, e eu possa fortalecer os lanços com a cidade, entende-la melhor e aproveitar mais do que ela pode me oferecer.

Por Germano R.

Minha moradia


FOTO : Fernanda Kelly

 Apesar de morar na cidade de Caucaia eu nasci e cresci em fortaleza e ela ainda vive em mim. Lugar de diversidade, cores e vibes positivas, Fortaleza é essa mistura que a gente faz, um pouquinho dali e outro daqui fazem desse lugar um local mágico.
 
Cheia de frases e mensagens por onde passa Fortaleza se comunica com seus moradores, ela entende cada um, e mesmo com tantos buracos feitos nela, ela ainda resiste, ainda amanhece linda, ainda abraça o povo, com sua gentileza, com todo seu amor que oferece.
 
Fortaleza para mim é lugar de se viver, de ser livre, e mesmo não morando nela, ela mora em mim, faz moradia todo dia, por onde eu passar, por cada frase lida nas paredes, por cada manifestação exposta no Benfica, pela exposição de arte de rua no dragão do mar, por cada arte de dança, na música regional, no artesanato.

A minha Fortaleza é amor, é forte, é resistente, é a força de mostrar que ainda tem muita coisa boa a ser descoberta. 

Texto por: Fernanda Kelly da Silva Oliveira. 

Minhas casas



Foto: "Eva" Acidum Project



   Minha cidade de Fortaleza é de cantos tão exóticos, pois eu nunca fiquei parado em um só canto aqui.
   Minha infância bom, a doce, ou particularmente falando, um pouco amarga, foi concebida no Conjunto Ceará, um bairro tão grande, mas tão pequeno ao mesmo tempo. As pessoas se encontravam e desencontravam, amavam e odiavam em cada rua que era passada. Era (não vivo mais lá) um bairro onde as pessoas se comunicavam, eu sentia como se fosse um pequeno interior dentro de uma capital.
 A avenida central e o polo eram o ponto de encontro das pessoas, se elas já se conheciam por ruas, lá era quase um casamento com várias pessoas do mesmo bairro. Bom, eu diria que o Conjunto Ceará era uma casa grande com a sua família que viviam todos os dias juntos.
    Me mudei de lá e me encontrei em outro bairro, o Antônio Bezerra, que diria que era um pouco diferente do antigo que eu morava. Eu não senti um acolhimento ou uma raiva pelas pessoas, mas não me senti inserido, até hoje, não completamente.
Acredito que o que pesou muito foi o meu crescimento dentro do meu atual apartamento, com o bairro (adolescente é um fogo sem fim...) eram aquelas velhas crises existenciais que um(a) jovem passa pela vida, então infelizmente, não tive total contato com meu atual bairro nesse tempo. Porém, de acordo com que ia crescendo, eu comecei a enxergar como o Antônio Bezerra é rico de diversidade de pessoas, eu nunca imaginei que ali competiria com o Benfica, em questões de diversidade de pessoas, eram vários "Andersons" adolescente encontrados em um local só. Aqui não irei abranger, por completo o bairro, mas sim minha rua, que é estranho, pois eu nunca vi cantos ficar aberto depois da 22:00 e ainda se sentirem felizes, detalhe importante: abertos no dia da semana. Aos poucos, me senti bastante acolhido, por mais que não trocasse apenas pequenas palavras como "bom dia", "boa noite", "como você vai?", pois eu vi ali que as pessoas (por sua diversidade), não faria um bastante mal. Esse parágrafo me lembrou um tanto de quantas vezes já cheguei tarde em casa e vi pessoas na rua conversando.
   Esse terceiro bairro, é onde eu moro todas as sextas-feiras, praticamente, eis aqui o famoso Benfica. Não sei como posso descrevê-lo de tão maravilhoso e tão acolhedor o bairro é. Até chegar aos meus 18 anos, eu não entendia a importância dele, para amigos mais velhos que estudam na UFC, mas depois que passei pela minha transição de menor para pessoa maior e "responsável", passei a conviver bastante com a sintonia do bairro. Eu imagino, o Benfica como uma música perfeita para os ouvidos, pois ali encontramos a melodia nos cantos da UFC, bares e até mesmo o shopping, e as rimas são as pessoas, pois são várias e cada uma possuem um significado importante para representar o que quer passar através dos ouvidos. Eu até faria uma música, se eu soubesse ao menos compor ou tocar um violão, até porque cantar, mesmo sendo ruim, a gente expressa o que sente. 
   Por fim, eu diria que é a minha casa (como pode ver eu possuo várias propriedades), o campus do Pici/Unifor, pego esse ônibus todos os dias e eu não sei explicar exatamente, como eu me sinto vivendo dentro deles todos dias, as vezes é solitário, pelas pessoas não se comunicarem e às vezes solidário, de ajudar aquelas pessoas com bolsas enormes que carregam para seus trabalhos e faculdades. Acredito que uma das maiores qualidades daqui é o Wi-fi (me desculpe a superficialidade da coisa, mas é uma verdade), porém a maior de todas a qualidade daqui, é quanto de lugares que eu conheço por Fortaleza, e conheço todos os dias, pois a cada olhar é uma descoberta nova. Desde o Pici, até Unifor, vivo uma euforia silenciosa e interna com os meus fones, meus olhos atento às pessoas que se encontram e aos lugares que eu conheço todos os dias. É lindo, é estranho e ao mesmo tempo puro.
   Diante dessa minha mediação sobre os cantos da minha vida em Fortaleza, a única coisa que eu tenho a expressar por fim é que essa cidade é um pequeno tão grande diante dos seus detalhes, é igual e tão diferente nas suas pessoas, nos seus olhares, aqui é encontrado tudo para você e desacreditado ao mesmo tempo, é um mar de emoções intensas e únicas pela sua cultura tão afetante. Minha Fortaleza é poderosa pela nossa força e carismática pelo nosso amor que aqui é encontrada sempre a luz mesmo quando estiver "avechado". 

Texto por: Anderson Cavalcante Pires
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