O filme fala sobre encontros e
desencontro que acontecem no cotidiano da sociedade de hoje, mostrando dois
personagens, Martin e Mariana que são “parecidos” no seu modo de vida, se
encontravam toda hora, e, nunca se encontravam de fato. Onde foi necessária a conexão
ao mundo virtual para que o relacionamento fosse aos poucos nascendo, e que,
por um acaso Mariana enfim acha o “Wally” que estava faltando na cidade, que se
trata de Martin, passeando com seu cachorro no meio da confusão da cidade
grande, e por fim os resolvem abrir uma janela que fica exatamente virada uma para
outra, no meio de imagens publicitarias.
Na obra Amor Líquido, Balman consegue nos mostrar, este novo modo, em que
caminha as relações amorosas do século XXI e destaca que a as relações de hoje
são sem vínculos, frágeis e cercados de incerteza. Por isso Bauman estende o
conceito “liquido”.
A Era do Amor Líquido
" Buenos Aires é uma cidade que cobre o seu rio com prédios, e o seu céu com fios."
O filme tem como personagens centrais dois jovens: Martín um fóbico, solitário e em processo de recuperação que divide o seu apartamento com uma cadelinha (Susú) deixada aos seus cuidados por uma ex-namorada que foi morar nos EUA. E Mariana uma jovem arquiteta que trabalha provisoriamente como vitrinista de uma loja sofre de claustrofobia mora sozinha e está tentando se adaptar a uma vida solitária após ter terminado um relacionamento de quatro anos. Ambos moram no mesmo quarteirão e embora conversem em bate-papos virtuais costumam cruzar pela cidade sem perceberem um ao outro. Ela, tem como hobby buscar por Wally, o personagem de seu livro, e afirma já tê-lo encontrado na praia, no shopping, mas nunca o achou na cidade.
Esse tipo de relacionamento é o foco a ser tratado no filme, a sensação de sentir-se só no vazio, mesmo quando se estar cercado de gente. As pessoas não se conhecem mais, se relacionam virtualmente com inúmeros amigos nas redes sociais, nos sites de bate-papo, mas não dizem sequer um "olá" para o vizinho, podemos estar juntos de muitos mas permanecemos isolados de todos. Construímos no nosso dia a dia as "medianeras" sociais que nos mantêm separados e até protegidos uns dos outros, e daí surgem os males tão vigentes hoje na sociedade: "Fobias, depressão, apatia, medo, obesidade, suicídios, ataques de pânico." Tudo isso oriundo da nossa distância tão falsamente integrada por meio de fios e cabos que atravessam as cidades.
"Afinal para que servem todos esses cabos de fibra óptica? Para nos unir ou para nos manter ainda mais isolados, cada um em suas casas?"
Somos inquilinos de nós mesmos.
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| Fotos retiradas da internet |
O filme "Medianeras" se passa em Buenos Aires e conta as histórias aparentemente independentes de dois jovens com suas vidas frustradas, o que acaba se refletindo em seus relacionamentos desconcertantes. Tudo se reflete ao trecho de Bauman: "Quando a qualidade decepciona, você procura a salvação na quantidade". Depois de relacionamentos que não deram certo, o contato pessoal se tornou mais difícil, tornando ambos pessoas reclusas.
Mariana encontra o meio digital para se referir ao seu antigo namorado, e diz: "Quem me dera um simples clique me fizesse esquecer de tudo".O real desejo de Mariana sempre foi que, assim como os laços criados através das redes, seus sentimentos se tornassem banais e deletados da memória.
Já Martin acredita que a internet o aproximou do mundo, mas o distanciou da vida. Ele usa todos os recursos que a internet possa lhe oferecer, desde trabalho a lazer, o privando de uma vida real. Segundo Bauman "a distância não é obstáculo para se entrar em contato - mas entrar em contato não é obstáculo para se manter à parte". Mesmo com a aproximação que a era digital proporcionou, nada realmente é palpável, é tudo muito líquido.
No desenrolar do filme, você percebe que os dois protagonistas têm tudo em comum, mas mesmo morando próximos, o encontro "offline" demora a acontecer. Vivemos em um mundo sempre conectados, que acabamos deixando os dias escorrerem nas nossas mãos.
A mensagem que Bauman deixa é que mesmo nas melhores das intenções de se usar a internet para conectar e criar laços, nada substitui uma boa conversa olho a olho.
segunda-feira, 27 de agosto de 2012
Conexões
Um homem e uma mulher, ambos solteiros, "esbarram-se", por um mero acaso... Em uma sala de bate papo. Mediado por um computador! Esse enredo, simples e direto, pode ser comum para todos nós, já que hoje nos encontramos na chamada idade da mídia.
Partindo dessa ideia, o filme argentino "Medianeras" nos trás uma história interessante. Martyn e Mariana, dois jovens solitários, que apesar de morarem bem próximos, nunca haviam se encontrado. Até que com uma ajuda, do computador (ou do destino), acabam se conhecendo e, consequentemente, apaixonando-se.
As imagens do filme já dizem tudo sobre quem eles são e do modo como eles vivem, sem nem precisar dos diálogos. Tão imersos em seus mundos que não se atrevem a olhar para os lados, pensam milimetricamente em tudo o que fazem. Isso é visível na cena em que Martyn checa cada item de sua mochila, colocando alí tudo o que acha necessário, como que em um "kit de sobrevivência", onde, claro, não pode faltar nem seu computador, nem seu IPod.
No mundo em que vivemos hoje, cenas como essas descritas no filme, é algo trivial, normal, comum. Estamos, sempre, tão preocupados com nós mesmos, nossos trabalhos, problemas e afins, que sequer olhamos para aquela pessoa com quem cruzamos todos os dias. E não só isso, achamos que, para diminuir esse individualismo, é só nos conectar à internet que podemos chegar a qualquer pessoa. O que não deixa de ser verdade. Porém, não deixa de ser um pouco triste!
Zigmund Baumam, em seu texto "Amor Líquido" fala muito sobre isso. Sobre como é quase impossível não ver uma pessoa andando na rua sem estar falando ao celular. Ou estar em um café, em um almoço de família, conectado à internet. E esse "estar conectado" (sempre) faz de você não mais um triste ser humano, sem família ou amigos, mas um ser humano ocupado, seguro e até diferenciado por possuir tamanha tecnologia.
Bom, acredito eu, que é possível viver bem com as tecnologias! Apesar de existirem extremos, como é visto no filme e em alguns trechos do texto de Bauman, como já dizia Kant, é só achar o equilíbrio, que esse sim será sempre a melhor saída!
Partindo dessa ideia, o filme argentino "Medianeras" nos trás uma história interessante. Martyn e Mariana, dois jovens solitários, que apesar de morarem bem próximos, nunca haviam se encontrado. Até que com uma ajuda, do computador (ou do destino), acabam se conhecendo e, consequentemente, apaixonando-se.
As imagens do filme já dizem tudo sobre quem eles são e do modo como eles vivem, sem nem precisar dos diálogos. Tão imersos em seus mundos que não se atrevem a olhar para os lados, pensam milimetricamente em tudo o que fazem. Isso é visível na cena em que Martyn checa cada item de sua mochila, colocando alí tudo o que acha necessário, como que em um "kit de sobrevivência", onde, claro, não pode faltar nem seu computador, nem seu IPod.Zigmund Baumam, em seu texto "Amor Líquido" fala muito sobre isso. Sobre como é quase impossível não ver uma pessoa andando na rua sem estar falando ao celular. Ou estar em um café, em um almoço de família, conectado à internet. E esse "estar conectado" (sempre) faz de você não mais um triste ser humano, sem família ou amigos, mas um ser humano ocupado, seguro e até diferenciado por possuir tamanha tecnologia.
"Dentro da rede, você pode sempre correr em busca de abrigo enquanto a multidão à sua volta ficar delirante demais para o seu gosto. Graças ao que se torna possível desde que seu celular esteja escondido com segurança em seu bolso, você se destaca da multidão - e destacar-se é a ficha de inscrição para sócio, o termo de admissão nessa multidão" - Baumam.
Bom, acredito eu, que é possível viver bem com as tecnologias! Apesar de existirem extremos, como é visto no filme e em alguns trechos do texto de Bauman, como já dizia Kant, é só achar o equilíbrio, que esse sim será sempre a melhor saída!
Martín, Mariana, José, Patrícia, Enzo, Anne, Abbud,Najwa...você e eu
Um homem e uma mulher, moradores de uma grande cidade, cada qual com suas fobias, seus medos, trancados (por opção?) em mundos particularizados coletivamente... Essa poderia ser a história de um Pedro e uma Ana, de um John e de uma Emily, mas em "Medianeras: Buenos Aires da Era do Amor Virtual" retrata Martín e Mariana.Vizinhos de quarteirão,distantes e distanciados pela pressa, pelos fracassos, pela incerteza e pela necessidade do "não-se-arriscar" em função da falta de tempo de se cometer erros, os dois personagens revelam a fragilidade das relações no mundo moderno, e como cada um se desconstrói e se reconstrói para atingir o ideal de não sofrimento.
Diante da rapidez, mobilidade e introspecção social possibilitadas pelos meios de comunicação, pelas redes de transporte, pela Internet, pela publicidade e, também, pela arquitetura, as relações se reconfiguraram (e se reconfiguram) aos padrões da instantaneidade e da conectividade. Na falta de garantias, suposto pré-requisito para o sucesso, Martín esconde-se (mesmo quando exposto) atrás de suas neuroses, enquanto Mariana se isola para não ter de quem se esconder, substituindo o mundo real-físico pelo mundo real-virtual, aonde o perecível é veículo de escape.
Pensando mais objetivamente sobre o amor no cenário contemporâneo, Zygmunt Bauman em sua obra "Amor líquido – sobre a fragilidade dos laços humanos" reflete sobre as relações pautadas na conectividade, em que a auto-preservação, a diminuição de expectativas no próximo, o aumento da independência no sentido mais amplo ditam a velocidade e o nível de importância das ligações. Não precisando olhar nos olhos, desenvolver habilidades pessoais de se relacionar, a rede virtual facilita rápidos contatos, de fórmulas gerais, que dão a sensação de controle, já que discordâncias e rompimentos podem ser resolvidos com um clique.
Em seu livro, Bauman investiga o universo da instantaneidade comum à sociedade moderna, exemplificados por Gustavo Taretto em seu filme através de Martín e Mariana. Na tentativa de se escapar de causadores das neuroses do mundo de hoje, faz-se com esses existam e convivam ao nosso lado. A busca pelo desprendimento nas relações age tanto como fator de distância como de aproximação, já que a individualização é partilhada por todos através de uma mesma lógica.
Em seu livro, Bauman investiga o universo da instantaneidade comum à sociedade moderna, exemplificados por Gustavo Taretto em seu filme através de Martín e Mariana. Na tentativa de se escapar de causadores das neuroses do mundo de hoje, faz-se com esses existam e convivam ao nosso lado. A busca pelo desprendimento nas relações age tanto como fator de distância como de aproximação, já que a individualização é partilhada por todos através de uma mesma lógica.
Torna-se possível então um novo encontro...
Meu vizinho desconhecido
Logo em seu início, "Medianeiras" já apresenta uma angulação de câmera e narração que denotam afastamento do observador. Os primeiros minutos do filme dão a ideia de estarmos assistindo a um documentário (essa foi minha suposição, inclusive), graças a falta de personagens e os dados sobre Buenos Aires que são ditos na tela.
Após a introdução dos personagens, vizinhos, porém sem qualquer ideia da existência do outro, sendo um isolado no mundo da internet e com um leve trauma pós-término, e uma complexada com relacionamentos e claramente afetada pela lotação da cidade, começamos a perceber melhor as semelhanças do filme e do livro "Amor Líquido", de Zygmunt Bauman. No texto, as novas relações humanas com a chegada dos celulares e da presença constante da internet são tratadas como aquelas que realmente importam para a sociedade onde vivemos.
O protagonista Martin vive uma forma mais virtual do isolamento, passando seus dias e noites (já que pouco dorme) em frente ao computador, utilizando-o para trabalho, compras, entretenimento, tudo, ao mesmo tempo em que evita ter de sair de casa. Esse comportamento é levemente retratado no livro, na passagem sobre o isolamento dos jovens, ansiosos para saírem do mundo exterior e correrem para trancarem-se em seus quartos.
No caso de Mariana, o que lhe incomoda é a falta de capacidade de se relacionar com outras pessoas, inclusive, fugindo de encontros, por ter medo de se arriscar. Essa fobia é mostrada claramente em um momento muito interessante, onde é revelado a fobia da protagonista de entrar em elevadores. Fobia essa que é curada da melhor maneira possível, com o encontro do tão sonhado Wally na cidade, desafio maior da vida de Mariana. Relacionando ao texto de Bauman, percebemos esse afastamento dado aos vagos relacionamentos que construímos no cotidiano, sendo ele passageiros, como todos as pessoas com quem Mariana se relaciona.
Sendo um exemplo perfeito para "vizinhos, ao mesmo tempo que distantes", "Medianeiras" é uma ótima exemplificação dos pensamentos de Bauman. Mesmo para quem não conhece o livro, é um ótimo entretenimento para quem pretende ter uma visão diferente da sua sociedade.
Após a introdução dos personagens, vizinhos, porém sem qualquer ideia da existência do outro, sendo um isolado no mundo da internet e com um leve trauma pós-término, e uma complexada com relacionamentos e claramente afetada pela lotação da cidade, começamos a perceber melhor as semelhanças do filme e do livro "Amor Líquido", de Zygmunt Bauman. No texto, as novas relações humanas com a chegada dos celulares e da presença constante da internet são tratadas como aquelas que realmente importam para a sociedade onde vivemos.
O protagonista Martin vive uma forma mais virtual do isolamento, passando seus dias e noites (já que pouco dorme) em frente ao computador, utilizando-o para trabalho, compras, entretenimento, tudo, ao mesmo tempo em que evita ter de sair de casa. Esse comportamento é levemente retratado no livro, na passagem sobre o isolamento dos jovens, ansiosos para saírem do mundo exterior e correrem para trancarem-se em seus quartos.
Sendo um exemplo perfeito para "vizinhos, ao mesmo tempo que distantes", "Medianeiras" é uma ótima exemplificação dos pensamentos de Bauman. Mesmo para quem não conhece o livro, é um ótimo entretenimento para quem pretende ter uma visão diferente da sua sociedade.
Relações virtuais
O filme Medianeras trata da vida de dois personagens que aparentemente não tem nada em comum, mas ao longo da história vemos que são bastante parecidos. Os personagens se mostram pessoas bem isoladas. Martin é um rapaz com muitas fobias, mas ao longo da história ele vai tentando superá-las e Mariana, que é arquiteta e vitrinista acabou de sair de um relacionamento de 4anos.
Medianeras é um filme urbano e jovem, porém trata bem uma
era virtual, onde ficamos conectados demais a esse mundo e muitas vezes
acabamos esquecendo a realidade. De acordo com o autor Zigmunt Bauman em “Amor
Líquido – Sobre a fragilidade dos laços humanos.” estamos sempre interligados a
outras pessoas, desde que tenhamos a mão nosso celular. E essa é uma conexão
que nunca acaba, pois temos todas as pessoas da agenda telefônica para
interagir.
A geração dos dias atuais está cada vez mais acostumada com esse tipo de relação virtual, através de celulares e computadores, uma relação que mostra o mundo globalizado. Onde as pessoas se privam de relacionamentos reais e passam a lidar com os virtuais, que de algum modo pode ser considerado mais fácil, por não existir o contato físico e sentimental.
No filme podemos ver que Martin e Mariana começam um
relacionamento através da internet, mas eles não se conhecem pessoalmente, o
que há entre eles é apenas uma proximidade virtual. Esse é um termo que uma espécie
de laço entre as pessoas, porém que acaba tornando a relação muitas vezes mais
breve, mais intensa e até mesmo mais banal, pois segundo Bauman ela é encerrada
apenas é um apertas de botão.
História paralelas e conectadas.
Medianeras em seus
primeiros minutos faz uma reflexão sobre a arquitetura da cidade onde o filme
se passa: Buenos Aries. Mesmo não morando na capital Argentina, depois de ver
essa sequencia de imagens, passamos a
perceber mais a nossa cidade, é como se finalmente olhássemos para cima e percebêssemos
tudo que há nela.
Depois desses primeiro momento de observação entramos no
mundo de Mariana e Martin, dois jovens que vivem as angustias dessa tal “era
moderna” que se encaixa não só com o nosso estilo de vida mas também com uma
importante obra de Zygmunt Bauman, “Amor
Líquido”.
Bauman gosta de espalhar por aí que “O advento da proximidade
virtual torna as conexões humanas mais frequentes e mais banais, mais intensas
e mais breves”. Odeio admitir, mas ele está certo, tão certo que depois de ler
sua obra e ver o filme Medianeras é fácil perceber o que Bauman diz através do personagem
Martin.
Sua vida é descrita através das consequências de estar
sempre em casa, sempre conectado. E é a partir de sua perspectiva que esse
jovem rapaz nos faz perceber o quanto sua rotina afeta sua saúde, agrava sua insônia
e limita sua interação fora do virtual.
Apesar de morar em uma cidade rodeada de grandes construções
Martin prefere ficar em casa disputando espaço e interagindo com o seu universo
eletrônico, mas quando finalmente tem que sair de casa, para passear com o seu novo
companheiro de quarto, um cachorro, sua rotina muda completamente. E em um desses passeios com o seu novo “amigo”
ele conhece Mariana uma importante personagem desse mundo moderno que tem uma
história paralela mas mesmo assim conectada com Martin.
Encontro e Desencontro.
O filme Medianeiras - procura abordas a vida na sociedade moderna na qual ficamos isolados e conectados, completamente distante da realidade. O filme retrata uma Buenos Aires pouco conhecida e explorada, onde no inicio o filme mostra a arquitetura da cidade, e faz parecer que os arquitetos planejam edifícios para prender os sentimentos das pessoas, gerando um estado de casos com pessoas depressivas e com pouco estimulo de vida.
historia de Martin e Mariana são muito parecidas, Martin muito conectado a internet e passa horas trabalhando na criação de sites, Mariana, uma arquiteta que trabalha com organização de vitrines costuma sair de casa somente para seu trabalho, acabou de sair de um relacionamento de 4 anos que para ela foram 4 anos perdidos.
Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos” destaca comportamentos do nosso dia a dia, com o que há de mais concreto na vida do homem moderno com suas relações de amor. A discussão na obra de Bauman tudo se torna fraco, duvidoso, aberto e inseguro. A sociedade não conseguem mais ter uma relação social por insegurança ou ansiedade. O relacionamento virtual se torna mais certo e seguro do que o contado próximo
Segundo Bauman, não importa onde você está, quem são as pessoas a sua volta e o que você esta fazendo nesse lugar e onde estão as pessoas. A diferença entre um lugar e outro, entre um e outro grupo de pessoas ao seu alcance de sua visão e de seu toque, foi suprrimida, tornou-se nula e vazia, como no caso de mariana, que perdeu 4 anos de sua vida em um relacionamento errado e numa nova fase de sua vida encontrou uma pessoa que estava ligada a sua forma de viver, os encontros e desencontros tornou a vida dos dois muito mais real, onde no fundo parecia que os dois sabiam onde cada um estava e que em um lugar ou outro iam acabar se encontrando.
Meu Mundo e Só.
O Filme Medianeiras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual dirigido por Gustavo Tarentto traz uma série de informações e questionamentos sobre os relacionamentos nos dias atuais, e de como as milhares de ferramentas comunicacionais que deveriam ser usadas ao nosso favor tornam-se vulneráveis, falhas, tornando essa comunicação inatingível, ou seja não temos o controle sobre ela, invade a nossa vida, mente, o nosso ser ate ficarmos reféns da tecnologia. E isso é algo preocupante.
O filme parece tal e qual o livro de Zygmunt Bauman Amor Liquido e a fragilidade dos laços humanos, livro sensacional onde o autor descreve exatamente a nossa realidade. E fazendo referencia ao filme, a historia de Martin e Mariana praticamente são idênticas, ele um apaixonado por internet e passa horas a fio isolado trabalhando em seu apartamento construindo sites, tendo como companhia um cachorro deixado por uma namorada. Martin não sai praticamente para nada, tudo que ele precisa fazer utiliza o computador, exemplo: compras, jogos, e obvio marca desastrosos encontros com futuras pretendentes. Ela, Mariana, uma arquiteta que ao contrario dele sai de casa porque seu trabalho pede-se isso, como decoradora de vitrines, é outra aficcionada por internet, e assim como Martin viveu um relacionamento duradouro, e desde então perseguem essa idéia de um relacionamento normal.
A historia deles se mistura a de milhares de pessoas no mundo onde eu, você , somos apenas mais um em meio a uma multidão, sentindo-nos completamente sozinhos a procura de um alguém que nos tire deste desolamento, é como eu me sinto agora, e cada dia que passa parece impossível encontrar esta pessoa, ninguém dar mais valor ao EU do outro, estamos vivendo a incapacidade de nos relacionarmos, com a mesma rapidez que começamos terminamos, restando-nos o refugio da internet, exatamente como escreve Bauman ”Dentro da rede você pode sempre correr em busca de abrigo quando a multidão a sua volta ficar delirante demais para o seu gosto”. Entendo perfeitamente o sentimento dos personagens e a prisão que a internet proporciona, e os males que ela causa, ou melhor esta causando no mundo moderno: Stress, depressão, fobias, pessoas antissociais, individualistas, introspectivas, solitárias, cercados por uma multidão em crises, distantes do mundo. No filme é notório estes problemas que Martin e Mariana absorveram, ele tem síndrome do pânico e ela pânico de elevador.
Sobre as relações Bauman escreve:
“Elas são ‘relações virtuais’. Ao contrário dos relacionamentos antiquados (para não falar daqueles com ‘compromisso’, muito menos dos compromissos a longo prazo), elas parecem feitas sob medida para o líquido cenário da vida moderna, em que se espera e se deseja que as ‘possibilidades românticas’ (e não apenas românticas) surjam e desapareçam numa velocidade crescente e em volume cada vez maior, aniquilando-se mutuamente e tentando impor aos gritos a promessa de “ser a mais satisfatória e a mais completa”. Diferentemente dos “relacionamentos reais”, é fácil entrar e sair dos ‘relacionamentos virtuais’. Em comparação com a ‘coisa autêntica’, pesada, lenta e confusa, eles parecem inteligentes e limpos, fáceis de usar, compreender e manusear. Entrevistado a respeito da crescente popularidade do namoro pela Internet, em detrimento dos bares para solteiros e das seções especializadas dos jornais e revistas, um jovem de 28 anos da Universidade de Bath apontou uma vantagem decisiva da relação eletrônica: ‘Sempre se pode apertar a tecla de deletar’”.
“Em vez de haver mais pessoas atingindo mais vezes os elevados padrões do amor, esses padrões foram baixados. Como resultado, o conjunto de experiências às quais nos referimos com a palavra amor expandiu-se muito. Noites avulsas de sexo são referidas pelo codinome de ‘fazer amor’”.
O crescimento desordenado das grandes cidades como Buenos Aires e suas formas arquitetônicas onde se passou a historia, e condensa os personagens a morarem tão próximos e ao mesmo tempo tão distantes, faz com que o Amor Liquido evapore com tamanha rapidez em que as relações são constituídas, eles tiveram sorte porque o destino lhes deram uma forca para se encontrarem deixando o mundo irreal pelo menos por um minuto.
Sobre o Amor Líquido isso Bauman comenta:
“Quando a duração não esta disponível, é a rapidez da mudança que pode redimi-lo. Procuramos ter múltiplas opções através de dispositivos que unem os que estão longe e separam os que estão perto.”
Acredito, que a vulnerabilidade das relações esta cada vez mais presente na vida das pessoas, isso ira perdurara. E não temos uma consciência sóbria, a ponto de separar ate onde eu posso levar adiante, ter o controle sobre minhas decisões, e seguridade o suficiente para acreditar nas pessoas, dando-lhes confiança e merecimento atenção; não deixando a proximidade virtual tomar de conta do meu ser, fazendo-me uma pessoa medrosa, sem atitude diante das dificuldades, sem ter domínio das situações.
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