segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Relacionamento em “rede”


“Medianeras” é um filme sensível, que representa bem as relações humanas atuais, os medos, as fobias e a falta de confiança no próximo. Além de conseguir relatar também o quanto estamos sozinhos no meio de uma rede de comunicação imensa e frágil ao mesmo tempo.



Vivemos em uma realidade onde as pessoas passam mais tempo conectadas virtualmente e desconectadas do mundo real e as relação se tornam mais seguras na rede virtual do que nas ruas. O filme retrata bem esse mundo atual e pode ser encarado como uma grande crítica à globalização em geral, que cada vez está aproximando e distanciando um do outro.  Martin e Mariana, personagens do filme, pessoas solitárias e frustradas com a vida, são reflexos do mundo em que vivemos, onde conectar-se não é necessariamente se relacionar com o outro, são apenas relações superficiais.



Relacionando o filme com o livro “Amor Líquido”, onde Bauman procura investigar, porque as relações humanas estão cada vez mais flexíveis, gerando níveis de insegurança que aumentam a cada dia. Podemos concluir que os seres humanos estão dando mais importância a relacionamento em “rede” e que os relacionamentos em geral, estão sendo tratados como mercadorias. Nós temos medo de sofrer e pensamos que não mantendo uma relação estável e duradoura, iremos parar de sofrer ou diminuir a dor, estamos sendo ensinados a não se apegar a nada, para não nos sentirmos sozinhos. No filme podemos ver bem essa insegurança por parte dos personagens tornando eles pessoas enclausuradas que vivem apenas no mundo deles com medo de sair de casa, mas sempre conectadas ao mundo virtual. 

Enxergar, ao invés de apenas ver

A era digital trouxe para as pessoas um novo mundo, onde elas podem estar juntas sem estar. Ao mesmo tempo em que ela aproxima, ela afasta. Pessoas de diferentes paises acabam se conhecendo, se relacionando, trocando idéias ou fazendo negócios.
Essa mesma sensação de estar o tempo todo conectado, ligado ao mundo, remete a uma sensação de solidão. Aquele contato, olho no olho, foi se perdendo, hoje apenas registrados por fotos, que são postadas e curtidas.
“O mundo não para” já dizia Cazuza, um homem a frente do seu tempo, um homem que com poucas palavras conseguiu traduzir o que significa essa modernidade, essa chuva de informação. A tecnologia é feita para pessoas em movimento, para que elas possam estar conectadas em suas casas, no carro, no trabalho, na escola, registrando tudo e compartilhando, para que a pessoa que está do outro lado possa sentir que faz parte daquele todo.
O filme “Medianeras” traz em seu enredo a tecnologia que une duas pessoas que vivem em rotinas tão diferentes acabam se conhecendo pela internet, mas que por ironia do destino se encontram por meio da vida. Eles não necessitaram das tecnologias para encontrar um ao outro, basta olhar na janela, olhar uma paisagem, e quem sabe, as pessoas começam a achar o que procuram.

Um Mundo Dentro de Outro



O filme Medianeiras - Buenos Aires na Era do Amor Virtual procura contar a historia do mundo moderno onde praticamente ficamos enclausurados e conectados, completamente distante do mundo. O filme retrata uma Buenos Aires pouco conhecida do grande público, onde os quatro minutos iniciais do filme mostram a geografia urbana, e faz parecer que os edifícios querem enjaular as emoções e em uma cidade cujo nome é Buenos Aires, aparenta ter mais solidão do que o contato humano.

‘’ A internet me aproximou do mundo, mas me distanciou da vida. ‘’

‘’ Então me pergunto: se mesmo sabendo quem eu procuro não consigo achar, como vou achar quem eu procuro se não sei quem é? ‘’

Essas falas fazem uma reflexão do filme com um livro de Bauman, ‘’ Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos ‘’, onde essas questões são características de um mundo pós-moderno, em que tudo se torna frágil, duvidoso, frouxo, livre e inseguro. O autor ainda reflete em seu livro que os vínculos humanos estão se tornando cada vez mais escassos na medida em que quanto mais tempo passa dentro de seu próprio mundo mais difícil fica de sair. O relacionamento passa a ser um investimento.
O filme foi lançado no Brasil no dia 02/09/2011, com Javer Drolas e Pilar López de Ayala como protagonistas.

O amor acontecendo fora da realidade

     Como amar alguém sem tocar, beijar, abraçar...?? 
     É assim que Martin e Mariana se amam antes de se conhecer, ligados somente pela tecnologia e pelas afinidades mostradas através da tela do computador. 
     O filme dirigido por Gustavo Taretto mostra um pouco do que é tratado em o Amor Líquido de Bauman.
     Duas pessoas depressivas e isoladas do mundo real buscando preencher, através da internet, um vazio no coração. 
    "O advento da proximidade virtual torna as conexões humanas simultaneamente mais frequentes e mais banais, mais intensas e mais breves." Assim Bauman descreve a proximidade virtual onde chama de Líquido esse amor moderno virtual, ao mesmo tempo que aproxima, afasta, intensifica e é passageiro. 
     Com Martin e Mariana não foi diferente, apesar de viverem na mesma cidade e especificamente, no mesmo bairro, se conhecem na internet com o medo de se envolverem com alguém no mundo real, como é mostrado diversas vezes no filme argentino Medianeras. Martin faz tudo pela internet, inclusive comer, comprar e se relacionar com outras mulheres. A relação física dos dois não existe, assim como Martin, Mariana busca uma janela no seu apartamento e é só assim, quando os dois se encontram no final do filme, quando ela não consegue se controlar e vai ao encontro dele, que os dois abrem uma janela em cada apartamento afim de verem o mundo passar lá fora, pois ligados 24 horas no computador eles estavam perdendo a vida real passar, se aproximando do distante e se afastando do próximo, como Bauman fala em seu texto: "A distância não é obstáculo para se entrar em contato, mas entrar em contato não é obstaculo para se permanecer à parte." 
    Não adianta tentarmos buscar proximidade no mundo virtual e fazer dele realidade, não há possibilidade de ser real um mundo que não podemos tocar e sentir. 

Luísa Guerra 


Medianeras, ou a fobia na hipermodernidade

"Sua ansiedade pode ser atribuída a seus efeitos e desfeitos, e procurariam (e certamente encontrariam os erros cometidos ao longo de suas vidas): pouca autoconfiança, autoproteção, ou autoadestramento."

E é assim que começa a narrativa de Medianeras. Mariana, arquiteta que não exerce a profissão, com fobia de elevador, prefere subir 8 andares de escada e é insegura quanto à novos relacionamentos após o último rompimento. Prefere se relacionar com seus manequins a sair de casa. Martin, desenvolvedor de sites que evita sair de casa até para comprar comida, tem fobia de multidões, pessoas, relacionamentos e procura a maior distância possível do mundo real, se relacionando com ele através da fotografia, por sugestão de seu psiquiatra.

"Não importa onde você está, quem são as pessoas à sua volta e o que você está fazendo nesse lugar. A diferença entre um lugar e outro, entre um grupo e outro de pessoas ao alcance de sua visão e de seu toque, foi suprimida, tornou-se nula e vazia. (...) Você sempre pode apertar a tecla para deletar"

Mariana e Martin andam pela cidade cada um em seu mundo. Ele, com fobia de avião, trem, ônibus, só se desloca a pé e olha as pessoas através de sua máquina fotográfica. Hipocondríaco e solitário, recebe seus exames em casa e primeiro pesquisa sobre os resultados na internet antes mesmo de consultar um médico. Ela, depois do último relacionamento, simplesmente deletou todas as fotos do casal com apenas um clique no seu computador. 4 anos de relacionamento acabaram assim. Agora, nas vitrines, trabalha e observa sem ser notada, e se sente confortável por não ter contato pessoal de nenhum tipo.

Ela e ele, apesar de frequentarem a mesma escola de natação, morarem na mesma rua e conseguirem se ver através das janelas, só estabelecem um primeiro contato através da internet. E um contato verdadeiro, sem fobias, medos ou máscaras, sem fugas precipitadas ou frustrações sexuais.
Na segurança - que parece ser a palavra de ordem da nossa modernidade líquida e o que mais os protagonistas do filme buscam - do lar, através da tela do computador, eles se sentem à vontade para conversar e serem honestos, sem as desconfianças habituais que acompanham os inícios de contatos reais.

Sem imaginar que aquele(a) estranho(a) com quem logo se encontrariam comprando velas era a mesma pessoa de instantes atrás, separando-se sem trocar uma palavra, mal tomando conhecimento um do outro, na esparança de voltar a falar com aquele anônimo virtual sem correr maiores riscos, mais uma vez eles se deixam escapar.

O filme retrata bem alguns conceitos apresentados por Bauman em Amor Líquido, ao retratar a virtualidade das relações, as conexões cada vez mais breves e banais entre as pessoas, as dificuldades de se criarem laços por conta disso e o distanciamento físico criado para facilitar o estabelecimento e rompimento das relações sem maiores esforços e prejuízos para as partes envolvidas.





Medianeras e sua relação com Bauman



“Medianeras” conta a história de duas pessoas solitárias ,Martín (Javier Drolas), designer preso a seu próprio mundo, e Mariana (Pilar López de Ayala), arquiteta frustrada com quase tudo na vida. Na verdade, Medianeras se revela uma trama dividida em duas histórias que correm em paralelo e que sabemos que, em algum momento, irão se cruzar.

“Amor Líquido: sobre a fragilidade dos laços humanos” destaca comportamentos do nosso dia a dia, com o que há de mais concreto na vida do homem moderno com suas relações de amor: a tecnologia. A discussão na obra de Bauman estende o conceito de “líquido” para as relações humanas na pós-modernidade: tudo se torna frágil, duvidoso, livre e inseguro. É exatamente isso que o filme mostra, as pessoas não conseguem mais ter um relacionamento estável, por medo ou ansiedade. O contato virtual se torna muito mais seguro do que o contado físico. É bem mais fácil e cômodo deixar de responder um email ou simplesmente não atender um telefonema do que chegar pessoalmente e dizer " não quero mais ter contato com você". 


Segundo Bauman, na sua forma “líquida”, o amor tenta substituir a qualidade por quantidade deixando assim em evidência a metáfora mais completa utilizada pelo roteiro do filme: A dos prédios, sua arquitetura caótica em relação a uma sociedade em constante mudança e pessoas tentando se adaptar à vida moderna. 

Em um mundo “líquido”, em rápida mudança, realizamos promessas que não podem ser cumpridas, temos que otimizar o tempo e diminuir os riscos. Mas, por outro lado, como se pode lutar contra as adversidades do destino sozinho, sem a ajuda de amigos fiéis e dedicados, sem um companheiro de vida? Apesar da movimentação do homem, ainda, precisamos de algo que nos deixe fixos e seguros.

Líquido Mundo Moderno.

Medianeras é um daqueles filmes que poderia ser ambientado em muitas outras cidades além de Buenos Aires, até mesmo em Fortaleza. Como Bauman escreveu em Amor Líquido: “A distância não é obstáculo para se entrar em contato, mas entrar em contato não é obstáculo para se permanecer à parte”.
 
 
No filme, Martin se sente seguro, invulnerável quando anda pela cidade com sua mochila racionalmente montada. E, quando está de frente para o computador, encontra tudo, ou quase tudo, que quer pela internet. Mariana relata como a telefonia celular invadiu o mundo com a promessa de manter as pessoas sempre conectadas. Mesmo que para essa evolução, a cidade tenha virado as costas para o rio e escondido o céu com cabos. Mas, ela ainda encontra vantagens nessa proximidade virtual ao entrar pela primeira vez num chat.
Cada um mostrou do seu jeito a dificuldade da comunicação em encontros reais e quando se falaram pela internet a conversa fluiu naturalmente. Como Bauman disse: “A proximidade virtual e não virtual trocaram de lugar: agora a variedade virtual é que se tornou a realidade”.
E então as duas vidas, tão próximas, se mantiveram distantes até se encontrarem no mundo virtual. Uma história que caberia em outra grande cidade onde no líquido mundo moderno: “a solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar o terreno doméstico comum”.
 
 


Não pertencer ...

 O filme "Medianeira" e o livro "Amor Líquido - Bauman" trazem um questionamento que atualmente a sociedade vive, o de não pertencer.
O não pertencer ao local que reside , na verdade de não pertencer a local nenhum. Vive-se achando que se está sozinho mesmo sabendo que existe uma multidão lá fora mas nada se adequa ou encaixa ao seu modo de vida. 
Martin e Mariana os dois personagens principais do filme não conseguem interagir com outras pessoas de forma mais "próxima" todas as relações que tiveram foram de superficialidade , Bauman cita muito isso em seu livro e acrescenta que além de não conseguirem interagir essas pessoas  tem medo do que está lá fora , do desconhecido e não conseguem quebrar as barreiras.

E quando Martin e Mariana de alguma forma começam a se questionar sobre a forma que estão vivendo o olhar sobre o mundo muda , e se nota isso quando ambos constroem, cada um em seu apartamento uma janela para ver o que está acontecendo lá fora e começam de aos poucos a se "encaixarem" naquele meio , até que se conhecem ( por meio da internet) e se permitem a ter uma relação de maior "proximidade" um com o outro.

domingo, 26 de agosto de 2012

Cuidado: Mantenha distância!

“Medianeras” é o típico filme que faz você pensar em várias coisas depois de assistir, principalmente na sua existência. Conta a história de duas pessoas super solitárias que moram em Buenos Aires, Martin e Mariana. O interessante do filme é que duas histórias caminham em paralelo e vemos tudo sabendo que em algum momento elas vão se cruzar. Tanto Martin quanto Mariana vivem em mundo extremamente restrito, evitando a socialização. Passam bastante tempo na frente de um computador e acabam se conhecendo virtualmente, sem saber que são quase vizinhos e que sempre andam nos mesmos lugares. No final das contas, se apaixonam.
Olhando rapidamente, a história pode parecer apenas uma crítica à sociedade atual e à globalização em geral, mas na verdade fala de solidão, medo, amor, esperança... Sentimentos que existem desde que o mundo é mundo, apenas foram modificados nas suas formas de expressão.
Fazendo uma ligação com o texto “Amor Líquido”, de Bauman, vivemos pela quantidade, não pela qualidade. Relações efêmeras são mais seguras, afinal não devemos nos apegar a ninguém, evitando assim uma possível futura decepção. Não é necessário conversar com alguém pessoalmente, já que podemos fazer isso pelas redes sociais. O problema é que cedo ou tarde o contato físico precisa vir à tona, como uma necessidade interna, e é aí que acabamos voltando às origens, mesmo que de forma singela. Vemos isso no filme quando Mariana ver Martin pela primeira vez, seu desespero, sua ansiedade, deixa mais do que claro que o que faltava era olho no olho, cheiro, tato.

sábado, 25 de agosto de 2012

Vivendo o desapego.


O filme Medianeras conta a história de Martin e Mariana. Dois jovens que não conseguem desenvolver relações ‘reais’ de afeto com outras pessoas. Vivem no ‘mundinho’ deles, com seus costumes, mania e aflições. Eles sempre se desencontram e o único contato que eles têm é por meio da internet. Eles estão tão perto e ao mesmo tempo tão distantes. 

Martin e Mariana retratam muitos de nós. Hoje nós somos dependentes da internet. No começo do filme, aparece Martin fazendo tudo pela internet. Compras, ir ao banco, ler revistas e jornais, tudo sem sair de casa. Realizar essas ações já virou rotina na vida do mundo modernizado. Para Bauman, isso não vai mudar. Sempre vamos procurar o que fazer na internet até quando não temos mais o que fazer. Sempre iremos procurar alguém para conversar, nem que para isso ser realizado, tenhamos que vascular toda a lista de contatos. 

No filme, é visível o lado psicológico dos personagens. Eles se demonstram altamente depressivos, frágeis. E é isso que acontece com muitas pessoas atualmente. As pessoas estão cada vez mais solitárias. Mesmo com uma grande rede de amigos, a solidão é presente na vida dos dependentes das relações virtuais. 

“A proximidade virtual e a não virtual trocaram de lugar: agora a variedade virtual é que se tornou a ‘realidade’ “. Essas palavras de Bauman, tiradas do texto ‘Amor Líquido’, descrevem perfeitamente a relação de Martin e Mariana. A relação virtual deles é mais forte do que a física. Aliás, é a única relação que eles têm. Já que eles não têm uma relação real, nunca se encontraram, e nem imaginam que moram tão perto.  A proximidade real não importa para eles, o que importa é a conexão virtual que eles estabelecem. 

No final do filme, ao estabeleceram um contato físico, acontece justamente o que Bauman diz, que as conexões humanas são mais intensas. A cena deixa isso bem claro. Quando Mariana reconhece Martin, ela se mostra desesperada, e vai ao encontro dele. Ficou bem clara a necessidade do contato físico que ela tinha a necessidade de ter.
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Maira Gall