domingo, 3 de março de 2013

Amor sem fronteiras.

Por Marina Duarte


Já parou pra perceber que hoje em dia todo mundo está conectado à internet? Até nossas avós tem facebook. Qual o sentido disso? Antigamente não existia essas coisas de tecnologia e todos viviam tão bem e felizes, não é verdade? Mas aí vem a grande diferença: hoje em dia é questão de necessidade. As pessoas precisam estar conectadas para que façam parte de algo, para que não se sintam excluídas. Seu celular, por exemplo, já imaginou ficar sem ele por um dia todo? Loucura total!


O mundo virtual tá cada vez mais real e importante do que o "próprio real". As pessoas fazem grandes amigos, melhores amigos, namoram pela internet. Namoro virtual tá cada vez mais comum, já percebeu? E por que? Porque parece tão mais fácil se relacionar através de um computador? Simplesmente porque você pode ser quem você quiser atrás de uma telinha. 


Bauman fala exatamente sobre isso em "Amor Líquido", sobre essa necessidade de estarmos sempre conectados, de nos sentirmos bem e sempre "acompanhados". Engraçado que, existem pessoas ao seu redor o tempo todo, mas ao mesmo tempo que você está com elas permanece online no seu facebook publicando tudo que está se passando naquele momento. É a necessidade de mostrar tudo aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. Não dá mais pra ficar à parte, temos que nos incluir na sociedade
E isso é tão forte de uma forma que se você conhece alguém que não tem redes sociais, alguém que não tem facebook, você já olha de um jeito torto. "Que estranho, ele não tem facebook."

Um filme que exemplifica muito bem a tudo isso é "Medianeras". Eles mostram o tempo inteiro "o medo do pessoalmente". Os protagonistas, Mariana e Martín, tentam se relacionar com outras pessoas o tempo inteiro e não conseguem. Fogem, inventam desculpas... Porque não conseguem. Mas quando vão a um computador e começam a "conhecer" um ao outro, fica tudo muito fácil e eles acabam ficando juntos. Detalhe: Eles são praticamente vizinhos, possuem os mesmos gostos e tudo mais, e nunca se viram  pessoalmente antes. Essa é a sociedade que vivemos, e só temos uma coisa a fazer: adaptar ou adaptar. A não ser que você não queira fazer parte dela. E aí?

Internet - Contruindo e derrubando paredes.


Em 2011, logo no ápice do surgimento de telefones com tecnologia móvel ainda mais modernos e também período em que a internet passa a ser cada vez mais essencial na vida pessoal e mesmo profissional das pessoas, Gustavo Tarerro lança um filme chamado "Medianeras" (que em espanhol, quer dizer: paredes) no qual trata sobre os aspectos não tão superficiais como costumeiramente vimos, da solidão causada por quem muito depende do mundo virtual. 

Tal filme não poderia ser lançado em momento mais propício, pois até nas universidades, o que mais se fala são dos benefícios e malefícios do uso da internet. Quase um clichê. Bom, o autor certamente leu o livro de Zygmunt Bauman, Amor Líquido, no qual Bauman trata da frágil sociedade atual, dependente do mundo virtual. A internet, de fato, pode ser vista como porto seguro para pessoas mais inseguras de si, tímidas, ou etc. E obviamente, não pode ser vista apenas como uma vilã, como alguns autores pensam. 

Na obra, há um trecho que diz "para os atuais corações solitários, as discotecas e bares para solteiros são uma recordação distante. Eles não adquiriram (e não temem não ter adquirido) o suficiente em termos de ferramentas de sociabilidade que fazer amigos em tais lugares exigiria". Percebemos isso no filme, a partir do momento em que nenhum personagem principal (Mariana e Martin) conseguem ter relações longas com pessoas que conhecem e, mesmo solteiros, não frequentam esses lugares. Martin até tenta com a loira poliglota, mas como mesmo diz, será mais um relacionamento no qual ele não levará à diante.

Ele, e muita gente atualmente, gosta mesmo é da internet. De fato, um relacionamento virtual torna a pessoa mais segura. É possível apagar o que você queria dizer e não disse. É possível pensar muito. É fácil. Mas a internet pode criar vínculos, sim.

O tema é até bem propício e pode ser um pouco entendido pelo filme, e um pouco mais pela leitura da obra Amor Líquido, mas merece maior aprofundamento a quem interessar, para que prós e contras sejam analisados de forma coerente. Afinal, no próprio Medianeras, o casal se encontra no final porque ambos, inadequeados ao mundo social, se encontram por uma causa única: o uso a rede eletrônica.





Amar, desamar, amar.

Por Débora Queirós
Já notou como hoje em dia é cada vez mais frequente a atualização do status de relacionamentos? Em um minuto, se jura amor eterno, em dois, já não se sabe nem qual seria a comida favorita do parceiro. Estranho não é verdade? Estamos vivendo em uma época em que amar e desamar está cada vez mais comum. O amor se escorre por entre os dedos, como se tudo não passasse de "sonhos vividos acordados", dá pra entender?

O filme "Medianeiras" retrata o que Bauman tenta explicar no texto "Amor Líquido". As pessoas hoje em dia tem um certo medo de se relacionar com o próximo. Será que ele é o cara certo? Será que devo me entregar por completo? Será que ele vai me machucar? Será que não é melhor a gente conversar mais antes de se conhecer? Será? 
Será mesmo que por trás de uma tela a pessoa é mais verdadeira do que frente a frente? Hoje em dia, talvez.

Estamos constantemente sendo bombardeados com redes sociais e praticamente mantemos a ligação com a rede 24 horas por dia. Presenciamos a era digital e a vivemos mais intensamente do que nunca. Fazendo essa ligação de mundo online e mundo offline, podemos destacar a necessidade que as pessoas tem de mostrar ao mundo o que elas fazem no decorrer do dia. Essa é a maneira que elas encontram de atualizar as pessoas ao seu redor. Não adianta mais saber que viveu, é preciso provaR, é preciso "se mostrar" ao mundo.
Momentos que me chamaram atenção no filme, protagonizado por Mariana e Martin, foram as várias cenas que mostram a ligação que eles tem um com o outro. Vivem lado a lado, tem gostos em comum, saíram de um relacionamento fracassado, se sentem perdidos na multidão, mas simplesmente não conseguem encontrar e subitamente acabam se conhecendo na internet. E finalmente, eles mostraram um ao outro a maneira que eles queriam ser enxergados. Você sem dúvidas pode ser quem você quiser por trás da tela de um computador. 
O interessante do desfecho da história é que eles se conhecem de verdade e logo depois postam um vídeo no youtube. Ou seja, o mundo virtual ainda continua pertencendo a eles. E sabem, que se uma hora não der certo, eles podem voltar e pedir ajuda ao mundo que não precisa de apresentações, fantasias e frases ensaiadas. Você sem dúvidas pode ser quem você quiser. 

Online x Offline



             Medianeras é um filme argentino que retrata basicamente as relações virtuais e a dificuldade de se mantar uma relação offline (fora da rede). Os protagonistas são Martín e Mariana, ambos sofrendo pela solidão. O filme mostra como alguém pode se sentir só, mesmo estando rodeada de outras pessoas. Os personagens se conhecem pela internet, mas se cruzam várias vezes pessoalmente porém não reconhecem um ao outro.

             Para Zygmunt Bauman os humanos estão dando mais importância aos relacionamentos virtuais do que os presenciais. Ele fala no livro 'amor líquido' da sensação de vazio causada na modernidade, e na busca permanente por um relacionamento. Para ele, a proximidade pode não ser física e se assim for, pode não ser verdadeira. Ou seja, uma pessoa pode ser próxima da outra mesmo estando longe, e estar longe mesmo estando perto. Confuso né? Bauman fala basicamente sobre a fragilidade dos relacionamentos na pós-modernidade.

Bauman em Medianeras

"Reduzir riscos,e, simultaneamente, evitar a perda de opções é o que restou de escolha racional num mundo de oportunidades fluidas, valores cambiantes e regras instáveis."

Atualmente, vivemos na era dos laços virtuais, onde somos repletos de "amigos virtuais", nos refugiando assim do contato face a face. As vezes não nos damos conta que a maioria deles nem se quer falamos direito. A tecnologia influenciou bastante a criação desses vínculos, mas a facilidade de convivência e a falta de cobrança que nesse meio existe são atrativos que tornam mais e mais pessoas adeptas à essa forma de proximidade. Esse modo de relacionar-se foi refletido pelo sociólogo Zygmunt Bauman através do texto Amor Líquido, onde ele menciona a modernidade líquida, que são os avanços tecnológicos influenciando o ser humano em suas relações e o amor líquido que representa a fragilidade dos laços humanos e a proximidade virtual e não virtual. 
Se Bauman resolvesse escolher um filme para retratar seu texto, nunca imaginaria que o filme argentino, Medianeras, estivesse tão próximo do seu discurso. No longa, os protagonistas (Martín e Mariana) se refugiam dos seus medos,inseguranças e solidão, no mundo virtual. Ambos criaram uma proximidade virtual e no dia em que ficaram frente a frente  estavam tão imersos em seus "próprios mundos" que não se perceberam. Através do texto e do filme podemos perceber que a internet tornou-se um meio de fuga da realidade, pois as pessoas encontram nela uma forma de esquecer ou superar as fraquezas e frustrações. Trecho do texto que define bem isto é esse: "Dentro da rede, você pode sempre correr em busca de abrigo quando a multidão à sua volta ficar delirante demais para o seu gosto". No filme percebemos isso, na forma em que Martín e Mariana,após terem terminado seus respectivos namoros, recorrem ao meio virtual para essa fuga da realidade. Ele se acaba se relacionando com garotas pela internet e "esquece" do convívio com o não virtual. Ela recorre também  à tecnologia para se relacionar e percebe que os únicos seres que realmente tem contato são os manequins de plástico de "vivem" em sua casa.
Ao longo do texto e do filme podemos ver que ambos possuem conexão e reflexões parecidas, como a proximidade virtual e não virtual, a dependência da tecnologia para os relacionamentos, a busca da felicidade através do virtual e a fuga da realidade através desse meio.
Até quando ficaremos dependente da tecnologia? Será que a forma de relacionar-se com o próximo irá mudar novamente? Talvez Bauman pode prever essas respostas,ou Medianeras pode tentar ilustrar,mas depende muito de cada um se deixar ou não levar pelo avalanche de tecnologia que acarreta a modernidade líquida.


Amor e as Redes Sociais

"Dentro da rede, você pode sempre correr em busca de abrigo quando a multidão à sua volta ficar delirante demais para o seu gosto"

E é isso que Martin(protagonista do filme Medianeiras) faz. Após o término de seu relacionamento, Martin fica muito abalado e procura nas redes uma liberdade que não consegue mais ter pessoalmente.

A internet hoje em dia virou uma maneira de "fugir da realidade", como foi o caso de Martin que abalado pelo término do noivado buscou nas redes sociais uma maneira de "passar o tempo", sem ter que entrar em contato pessoalmente com as pessoas. E é onde me lembro de um trecho do texto Amor Liquído, que expressa fielmente a situação:

"Dentro da rede, você pode sempre correr em busca de abrigo quando a multidão à sua volta ficar delirante demais para o seu gosto"
Então Martin começa a se relacionar com um grande numero de garotas através das tecnologia, dos sms, redes sociais, sem se preocupar com o contato físico. A vida nas redes sociais fez com que Martin se tornasse cada vez mais anti-social e incapaz de criar laços com outras pessoas, devido as suas manias e sua preocupação excessiva.

"Quando a qualidade o decepciona, você procura a salvação na quantidade.”
Mariana que mora em outro prédio na mesma rua que Martin, é uma garota que se formou em arquitetura, também acabou de sair de um relacionamento que durou 4 anos. E olha que chama mais atenção é que Mariana terminou a relação por que tinha a sensação de que estava convivendo com um estranho desconhecido. Fazendo com que o publico tive um certo "choque,dúvidas,indagações",mas será que isso é realmente possível nos dias de hoje? morar com uma pessoa durante vários anos e achar ela completamente um desconhecido? Há ditados populares que dizem "você pode conviver com uma pessoa durante anos, mas nunca vai conhecer ela completamente".


Mariana e Martin ambos procuraram nas redes sociais uma maneira de fugir da realidade, os dois trocavam mensagens, torpedos, sem saber que moravam próximos um ao outro e que se esbarravam pela rua,sem nunca terem percebido. Esta cena é mais uma realidade do nosso cotidiano, quantas vezes passamos pela mesma rua e nunca reparamos o que está ao nosso redor? Muitas vezes algo que você está a procura pode estar do seu lado e você não consegue enxergar.

 "A internet me aproximou do mundo, mas me distanciou da vida. Faço coisas de banco e leio revistas pela internet; baixo músicas, ouço rádio pela internet; compro comida pela internet; alugo e vejo filmes pela internet, converso pela internet, estudo pela internet, jogo pela internet, faço sexo pela internet..." - Martin

Quando os dois marcam um encontro pessoalmente, Mariana não tira os olhos do celular, eles mal conversam, mal trocam olhares, os dois que tinham várias coisas em comum nas conversas onlines, quando chegou a hora desse laço se fortalecer Mariana não desgruda do celular falando com outras pessoas,sem dar atenção para Martin. Uma citação de Bauman que eu acho muito verdade é esta aqui:

" O desvanecimento das habilidades de sociabilidade é reforçado e acelerado pela tendência, inspirada no estilo de vida consumista dominante, a tratar os outros seres humanos como objetos de consumo e a julgá-los, segundo o padrão desses objetos, pelo volume de prazer que provavelmente oferecem e em termos de seu "valor monetário".

Ele basicamente quer dizer que com o surgimento dessas novas tecnologias, foi incentivado o consumismo, virou quase uma obrigação se ter um perfil na rede social, que hoje em dia só é possível alcançar a verdadeira felicidade se tivermos dinheiro para comprar tudo aquilo que desejamos, mas será que isso não seria só a felicidade material? e onde está aquele conceito de que felicidade era o amor? Fica dificil encontrar a felicidade em meio a tantos desvaneios que deveria ajudar mas faz é nos afastar cada vez mais das pessoas.

"Aos que se mantêm à parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem em contato, os celulares permitem manter-se à parte..."


Na cadeira de Ciência da Informação, minha equipe realizou um vídeo sobre os dataholics, que são pessoas viciadas em informação que não conseguem se desconectar, achei que caberia postar devido a ligação dos assuntos. Espero que gostem :))




sábado, 2 de março de 2013

Análise do filme “Medianeiras” - Marcus Vinicius

Todo o filme é uma análise das relações humanas em Buenos Aires, situação que pode ser reproduzida em qualquer grande capital contemporânea. Em vários momentos é possível encontrar ligações com o texto do Bauman. Os dois protagonistas, Martin e Mariana, jovens que são um retrato da sociedade atual, possuem várias características encontradas no texto: eles têm dificuldades em se relacionar com outras pessoas, as suas relações são flúidas e pouco consistentes, estão sempre conectados virtualmente mas quase nunca presencialmente, etc.

Em uma passagem, Martin fala: “A internet me aproximou do mundo mas me distanciou da vida”. Ele, assim como Bauman, quer dizer que as conexões virtuais lhe oferecem milhões de possibilidades, sendo praticamente impossível se prender a uma única, você tem sempre outra opção, passando assim uma falsa sensação de segurança e estabilidade. Nas relações presenciais essas possibilidades de substituição são muito mais distantes, alternativas para o que der errado são muito dispendiosas.

O momento em que os dois se conhecem é uma curiosa metáfora do que está presente no texto. Naquele momento eles já estavam se comunicando e se conhecendo, mas apenas de forma virtual, o contanto pessoal entre os dois acontece apenas quando falta energia, quando eles se “desconectam”.



"Aos que se mantêm à parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem em contato, os celulares permitem manter-se a parte" Bauman. Este vídeo, anúncio de uma empresa japonesa, ilustra perfeitamente essa citação de Bauman a fala de Martin citada anteriormente. Enquanto o indivíduo se aproxima, de maneira inconssistente de muitos, de ditancia de outros, que poderiam oferecer relações mais próximas.

Próximos, porém distantes


"Uma mensagem brilha na tela em busca de outra. Seus dedos estão sempre ocupados: você pressiona as teclas, digitando novos números para responder às chamadas ou compondo suas próprias mensagens. Você permanece conectado — mesmo estando em constante movimento, e ainda que os remetentes ou destinatários invisíveis das mensagens recebidas e enviadas também estejam em movimento, cada qual seguindo suas próprias trajetórias."

 Zygmunt Bauman

 

Você consegue imaginar sua vida há alguns anos atrás? Nos tempos em que você não apalpava sua bolsa ou bolso toda vez que saía de casa para comprovar que seu precioso instrumento de se comunicar e interagir com o mundo realmente está lá ou naqueles tempos em que falar pessoalmente era mais divertido que "falar" por teclas ou telas, onde as expressões eram tão importante quanto as palavras. Não faz tanto tempo assim que mudamos alguns padrões de comportamentos, mas isso já é notado claramente em nossa sociedade.

No filme Medianeras acompanhamos a vida de dois jovens que vivem imersos em seus próprios mundos de uma maneira que não notam os outros e nem um ao outro, mesmo eles tendo tanto em comum.

Bauman diz que "quando a qualidade o decepciona, você procura a salvação na quantidade". Isso é visto bastante hoje na forma de "excesso de estímulos". Ao mesmo tempo em que você almoça também lê o jornal ou olha as notícias no celular, conversa com um grupo de pessoas ao mesmo tempo que manda mensagem para outro alguém do outro lado da cidade ou tenta dormir, mas seu cérebro não consegue se desconectar, e você acaba pegando o celular ou voltando para o computador. No filme é possível ver esse excesso no momento em que Martin dorme pouquíssimo e volta para o computador, onde lá consegue enxergar um mundo de possibidades para fazer o que quiser, como comprar, trabalhar, se divertir e se relacionar. Como ele mesmo diz: consegue fazer tudo pela internet.


Bauman também cita que "aos que se mantém a parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem em contato, os celulares permitem manter-se à parte". Tanto os celulares quando as próprias redes sociais nos fazem ter esse sentimento: estar próximos das pessoas, mesmo estando cada um em sua casa, sozinho.

No filme é possível perceber isso através de uma personagem: a garota que passeia com os cachorros, com a qual Martin se relaciona, ela não consegue viver por completo o momento em que está com ele, ela passa o tempo todo com o pensamento em outro local e enviando sms para outra pessoa.

 Outra citação de Bauman interessante que se encaixa em um momento do filme é a que na internet tudo se dá de forma mais fácil do que realmente é na vida real, principalmente no caso dos namoros. Na internet você pode "terminar quando se deseje - intantaneamente, sem confusão, sem avaliação de perdas e sem remorsos - é a principal vantagem do namoro pela internet. Reduzir riscos". No filme Martin até tem vontade de se relacionar com alguém e, por isso, vai a um site de encontros e, ao ver alguém que ele achasse que fosse compatível com ele, se decepciona ao conhecê-la na vida real e percebemos como foi fácil esse desprendimento, ele simplesmente não se comunica mais com ela. Como é usado hoje: "dar block", ou seja, bloquear a pessoa para que ela não se comunique mais com você. Simples.

O filme Medianeras mostra diversas citações de Bauman postas em prática e é uma ótima forma de refletirmos sobre como estamos vivendo nossa vida convivendo com tantos meios de comunicação que interferem tanto na nossa relação com o outro.


Nota adicional
Achei curiosa a atitude de um amigo. Ele excluiu seu facebook nas férias e, ao voltarem as aulas, todos o perguntaram o por quê dele ter "sumido" e, ao ser questionado por qual motivo ele decidiu excluir seu perfil  respondeu: eu estava me sentindo diferente por passar tanto tempo em frente a tela do computador e por passar tanto tempo conectado ao facebook, então decidi sair de dentro de casa e falar um pouco com as pessoas na rua e tive uma surpresa ao perceber a minha rua, que sempre tinha muita gente nas calçadas, estava deserta, com cada um em sua casa, em seu próprio mundo, em seu próprio computador. Quando vi isso me dei conta do que estava acontecendo e refleti sobre mim mesmo, então decidi excluir meu facebook e, posso garantir que aproveitei bem mais minhas férias.

Não que todos devam fazer isso, nem eu pretendo fazer o mesmo, mas é um bom questionamento a se fazer.

CONHECENDO AS PESSOAS COM UM TOQUE ROBOTIZADO

O NOVO MUNDO - O MUNDO VIRTUAL




  Conectar ou desconectar? Eis a dúvida. Ao ler o estudo e assistir o filme, veio na minha mente, o que será o mundo daqui há 10anos? Conseguiremos sobreviver nessa nova vida? E o tocar, será substituído por mãos robotizadas? Tanto o estudo de Bauman e Medianeras, tem uma junção, e nessa junção serve de alerta para todos nós. Amor líquido relata o seguinte: 

"Aos que se mantêm a parte, os celulares permitem permanecer em contato. Aos que permanecem em contato, os celulares permitem manter-se à parte..." 

  E assim o filme interliga totalmente a realidade e o perigo que enfrentamos justamente com que Bauman diz.

  Durante o filme, comecei a enxerga coisas de cotidianos. Todo mundo passa por pessoas desconhecidas nas ruas e ninguém olha um para o outro. E claro, viver profundamente ao trabalho, esquecendo-se do que é o mais importante, viver. No filme, uma cena me chamou atenção. Um cachorro. Ao ver seu dono trabalhar arduamente e viver conectado em um mundo que os animais não possam ter a internet, o pobre cachorro se suicida ao se jogar de uma varanda, pois, simplesmente, o cachorro fica sempre ali, naquele espaço, sem nenhum contato com outros animais e preferiu sair da solidão e definir seu rumo, a morte. 

  Nós jovens antigamente se reunimos em praças públicas, encontro em shoppings, festas e etc. E hoje, escolhemos vivenciar através de facebooks, twittes, whatsapp e por ai vai. Por isso, segundo estudos, as doenças como depressão e obesidade serão maiores do que é hoje, por iniciarmos essa rotina que vem passando de geração a geração.



  Outra cena interessante no filme. Martin, ao vivenciar profundamente no mundo virtual, ele escolheu um dia para sair com sua cachorrinha Susu. E todo desconcertado, não conseguia galantear a adestradora de cães que a conheceu na porta de sua casa e em uma praça. Já Mariana, demonstra tanta a solidão, que a necessidade de ficar conectado e trabalhar exageradamente, fez com que ela perdesse o contato real com pessoas, e seu ex-namorado e chegar ao ponto de fazer sexo com um manequim. Tanto Martin e Mariana serem vizinhos, não precisavam ter grandes obstáculos, apenas um computador os separavam. Como em um trecho de Bouman, que a solidão, não precisa ter obstáculos no caminho, apenas compartilhar em um celular já interliga o eu e você (no filme, Martin e Mariana).

“A solidão por trás da porta fechada de um quarto com um telefone celular à mão pode parecer uma condição menos arriscada e mais segura do que compartilhar o terreno doméstico comum.”

“... a proximidade virtual ostenta características que, no líquido mundo moderno, podem ser vistas, com boa razão, como vantajosas, mas que não podem ser facilmente obtidas sob as condições daquele outro tête-à-tête, não virtual...”.


  Se acontecer de viver em um mundo dessa forma, vamos ser igual à Mariana com seu livro (cena do filme). Ela consegue ver pessoas das quais nem sabe quem são. Mesmo com uma lupa, ela continua a procurar a última pessoa (teoricamente seu amor) do livro, mas não consegue. E simplesmente a última pessoa estava praticamente do seu lado, a 200 metros. E assim ela consegue a última pessoa do seu livro e seu amor, mas para isso, ela tinha que ser tocada por uma mão robotizada, o mundo virtual.





Nem tão próximos como se imaginam

Com o avanço da tecnologia, fica cada vez mais prático fazer as coisas via internet. Quem nunca comprou algo, pagou uma conta ou colocou créditos no celular usando a internet? Essas são algumas das grandes possibilidades que esse meio de comunicação oferece para nós. Porém, o motivo em que as pessoas mais  usam a internet pode ser outro: amizades ou namoro virtual. Conceito que vem crescendo muito, essa nova forma de se relacionar está conquistando cada vez mais as pessoas. Mas até onde se vai?
Bom, será mesmo que pode ser chamado de virtual? Visto que são duas pessoas reais.. O que eu quero dizer é que, apesar de não estarem juntas, lado a lado, aquilo uma tem a outra na sua realidade. Maluco, né?

No filme Medianeras, é passado uma história de um casal que são vizinhos de prédio, vivem se encontrado e desencontrando na rua, mas não se conhecem, pois a única relação que eles têm é por meio virtual. Martín e Mariana são um exemplo perfeito para o que foi  dito por Bauman, em '' Amor Líquido''. Para o autor, esse forma de agir está ligada à insegurança., pouca confiança, medo de sofrer. Também acontece de muitas vezes as pessoas se falam muito por via mensagem ou outro dispositivo instantâneo  que na hora do encontro, não conseguem trocar uma só palavra, parecem dois estranhos.

O exemplo dado acima, também aconteceu de forma bem parecida no filme. Após procurar alguém para passear com seu cachorro, Martín encontra uma garota, e mesmo passando a noite com ela, eles não conversam e nem o nome dela sabemos. Apesar de estar com ele ao lado, a garota prefere trocar mensagens com outra pessoa, o que reforça ainda mais a ideia de ''tão próximos e tão distantes''.


Acima, está o trailer do filme Medianeras. 

Por fim, esse líquido que o autor se refere, é justamente a fragilidade dos relacionamentos, a simples e rápida forma que eles podem ser trocados. É como se estivesse escondidos, estivessem com medo e fugissem de encarar a realidade.
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