quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Filme "O Terminal" e a relação com o "Não-Lugar"

O filme "O terminal", cujo roteiro foi escrito por
por Sacha Gervasi e Jeff Nathanson, baseado numa história de Andrew Niccol e Gervasi.
Trata-se de uma narrativa de um homem, chamado Viktor Navorsk, natural da Krakozhia, uma cidade fictícia, que tem seu visto vetado para entrar nos Estados Unidos, pois o seu país, enquanto ele estava viajando, sofreu um Golpe de Estado, e fechou as fronteiras. Ele fica preso no aeroporto de Nova York e lá passa nove meses preso sem poder entrar na cidade.

Uma parte interessante do filme que me chamou atenção é que no "não-lugar" onde ele passa a viver, o que acaba se tornando de fato um lugar, Navosk procura um emprego, convida Amelie Warre, vivida por Catherine Zeta-Jones, para jantar no terminal, consegue se organizar e criar uma casa para viver, enfim, o personagem consegue se adequar ao espaço que até então não era um espaço. Tanto que, quando ele pergunta ao policial o que ele deve fazer enquanto espera, o policial lhe responde que ele deve fazer compras, a única coisa até então que se fazia num terminal.

A ideia do não- espaço acontece de fato na sociedade em que vivemos, já que ao longo dos nossos dias passamos por diversos lugares, ambientes diferenciados, mas não paramos para observar que, de fato, não pertencemos a nenhum deles. Acabamos por não buscar outros lugares e continuar passando e passando sem perceber a complexidade de cada lugar.



Encontrando um não-lugar em “O Terminal”


- Aonde você mora?
- Aqui, no aeroporto.
- Engraçado, passo tantas vezes por aqui que tenho essa mesma sensação.

O diálogo transcrito acima do filme “O Terminal” é a base de todo o debate sobre o conceito de não-lugar. A conversa entre Viktor Navorski (Tom Hanks) e Amélia Warren (Catherine Zeta-Jones ) expressa a realidade vivida por Viktor, preso no aeroporto impossibilitado de sair do aeroporto pois não tem o visto para entrar no Estados Unidos e Amélia uma aeromoça que viaja por vários países a trabalho.

O conceito de não-lugar mostrado no filme nos remete a imaginarmos outros não-lugares do nosso dia-a-dia. Aeroportos, lojas, terminais de ônibus e até mesmo nossa casa, podem ser um não-lugar quando analisada a rotina do indivíduo.

Em uma sociedade onde as pessoas tem o tempo diário totalmente preenchido é mais do que normal, simplesmente “passar” por lugares. Esses ambientes visitados acabam passando de forma despercebida.

A normalidade de simplesmente passar sem notar ou ser notado em determinados lugares tem gerado cada vez mais um afastamento das pessoas com os lugares que elas convivem. Não perceber paisagens ao redor ou pouco notar as pessoas que trabalham nesses lugares são exemplos disso.

E a relação com as outras pessoas? E o interesse de se conhecer um pouco mais sobre o locais não-lugares? Isso tem se tornado pouco importante, porque não podemos parar nossos afazeres diários para buscar um conhecimento além do que nos é repassado.

Com essa ideia e com uma visão de sociedade cada vez mais limitada, os indivíduos vão mergulhando em um individualismo sem precedente e sem interesse algum de tentar melhorar o que está ao nosso redor.


João Bandeira Neto
Seg /Qua - AB

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Quando "OTerminal" vira um Lugar


Baseado em fatos reais, o filme “O Terminal” conta a história de Viktor Navorski, interpretado pelo ator Tom Hanks. Viktor é um cidadão da Europa Oriental que viaja rumo à Nova York justamente quando seu país sofre um golpe de estado, o que faz com que seu passaporte seja invalidado. Ao chegar ao aeroporto, Viktor não consegue autorização para entrar nos Estados Unidos. Sem poder retornar à sua terra natal, já que as fronteiras foram fechadas após o golpe, Viktor passa a improvisar seus dias e noites no próprio aeroporto, à espera que a situação se resolva. Porém, com a situação se arrastando por meses, Viktor permanece no aeroporto e passa a descobrir o complexo mundo do terminal onde está preso.

Mais uma vez assisti a esse filme. Engraçado como depois de algumas aulas da disciplina de Sociedade de Informação e novas Tecnologias eu pude facilmente associar o filme ao conceito de lugar e não - lugar.

Diariamente, milhares de pessoas passam pelos aeroportos, fazendo desse local um lugar de passagem, ou seja, um não – lugar. Você vai lá, passa pouco tempo e logo vai embora. Mas e quando o terminal vira um lugar?

É o que acontece no filme. Viktor Navorski, sem poder sair do terminal e sem conhecer a língua americana faz do aeroporto um lugar, ou seja, ele aprende a língua nativa, sobrevive de “bicos” que consegue lá dentro, faz dos bancos de espera sua cama, enfim, se habitua a um novo estilo de vida e de lugar.

Hoje, muitos não – lugares se tornam lugares. Como por exemplo o estágio ou trabalho. Você passa a maior parte do dia trabalhando e convivendo com outras pessoas em um lugar que não é a sua casa. Ela vira apenas um lugar para comer e dormir ou talvez só dormir. É o meu caso, e tenho certeza que o seu também. A casa, que tinha todo um conceito de lugar, porque gera a idéia de conforto, segurança, já que era onde você passava a maior parte do tempo e usava para todas as suas necessidades físicas, agora é um lugar de passagem.

E é mais ou menos isso que o filme tenta mostrar. Um homem que é “forçado” a fazer de um aeroporto o seu lugar. Olha só, um encontro romântico geralmente é feito em restaurantes ou em um lugar especial. No caso do Viktor, ele se apaixonou dentro do aeroporto e teve seu jantar romântico, adivinha onde: no terraço do aeroporto! Todos os seus hábitos foram reinventados e a cidade de Nova York virou um não – lugar, afinal, ele foi lá de passagem e só conseguiu ficar na cidade livre por 24 horas.

Quando o não-lugar torna-se lugar

Depois de sair de seu país de origem com destino a Nova York, Viktor Navorski (Tom Hanks) percebe-se preso no aeroporto. Krakovia (seu país) sofre um golpe de estado e, portanto, como Viktor não tem nacionalidade, não poderia nem chegar próximo a calçada americana e nem, muito menos, retornar a Krakovia, pois as fronteiras foram fechadas após a revolução.

Viktor chegou aos Estados Unidos falando apenas algumas palavras em inglês, o que dificultou mais ainda o seu interagir com as demais pessoas que existiam a sua volta. Viktor é obrigado a viver no aeroporto por meses, até que encontrem uma solução para seu problema. Com o fim do golpe na Krakovia, Viktor conseguiu sair do aeroporto e alcançar seu objetivo: ter um autógrafo de um músico de Jazz para cumprir uma promessa feita a seu pai.



Steven Spilberg soube retratar bem o conceito de não-lugar no filme O Terminal (2004). As pessoas com que Viktor (inicialmente) se relacionava eram todas efêmeras, pois estavam em um lugar de passagem. "Não-lugares" são ambientes como aeroportos, trens, ônibus, hotéis parques de lazer, todos os locais onde não estabelecem com o sujeito níveis de relação afetiva.

Viktor vai transformando o aeroporto em não mais um lugar de passagem, mas em um lugar de permanência. O flâneur representa-se nele, pois ele é o personagem da modernidade que vive de extrair do universo de transitoriedade o que tem de "poético". Ele conseguiu encontrar uma forma de ganhar dinheiro com os carrinhos de bagagem e depois arranjou um emprego dentro do próprio aeroporto. O personagem demonstra a capacidade humana de adaptar-se até, por fim, voltar a sua identidade.

O Terminal

MUDANÇA DE VIDA INESPERADA

O Terminal é um filme de 2004 dirigido por Steven Spielberg. Que conta a história de um homem (Viktor Navorski, interpretado por Tom Hanks) preso a um terminal de um aeroporto devido à uma revolução na qual seu país passa enquando ele está no avião a caminho dos Estados Unidos. Ele pousa em solo americano como um "homem sem pátria" e portanto não pode circular em solo americano. Só resta a ele então, o terminal do aeroporto. Navorski passa por uma mudança de vida inesperada.

O terminal se transforma na sua casa por alguns meses e só resta a ele esperar até que a situação no seu país se resolva. A partir daí ele passa a se acomodar nas dependências do aeroporto. Navorski trabalha, faz amizades e até se apaixona no local. Um aeroporto que para muitos é apenas um local de passagem (rápida), para o protagonista acaba sendo seu único meio de sustento.

A situação que Navorski vive no filme se adpta ao conceito de não-lugar. Pois o não-lugar se constitui no local onde as pessoas não possuem vínculos afetivos, ou pessoas e que só passam sem nenhum compromisso. No filme o aeroporto seria o não-lugar para Viktor, mas acaba sendo o único local que lhe resta.

Lucas Pessoa Rebouças.

Parado em seu novo Lugar

A mente está sempre no local de partida ou chegada, quase nunca no seu trajeto. Com as passagens em mãos, o voo marcado e vidas resumidas em malas limitadas, os passos são rápidos e determinados a chegar logo em seu objetivo. No longa-metragem O Terminal (The terminal, 2004), o espaço destinado somente à passagem, tira a nomenclatura negativa da sua característica de não-lugar.

Tom Hanks, sob a direção de Steven Spielberg, encarna o personagem Viktor Navorski, cidadão de lugar nenhum. Enquanto o seu avião sobrevoava ao país norte-americano, a sua pátria sofre um golpe político e o seu passaporte passa a ser inválido. Vendo-se impedido de entrar na América, torna o aeroporto Kennedy, em Nova Iorque, o seu local de refúgio e, literalmente, de passatempo. Mais do que isso, ele incorporou a essência flâneur e mal sabia.

Ele não mais via os salões como os mesmos. O que poderia passar despercebido pelos olhos distraídos dos passageiros, foi usado, por ele, como artifício para sobreviver em um ambiente criado para ser apenas de fluxo. As cadeiras tornaram-se cama, as torneiras do banheiro, chuveiro e os carrinhos, um meio de conseguir dinheiro para se alimentar.

Além disso, tanto os estranhos que também faziam daquele não-lugar em um lugar, como os outros transeuntes perdidos na multidão, foram captados pela percepção de Viktor. Ele começou a observar suas rotinas e refletir sobre elas. Como um flâneur contemporâneo, trocou as calçadas e as praças públicas de grande circulação por um espaço de concreto, de intensa circulação de diferentes pessoas.

Esse ser vagabundo, em sua origem, aceita a modernidade na qual nasceu e vive. Dessa mesma forma, o homem original de Krakozhia, quando se viu sem país e preso ao aeroporto, tornou o novo espaço em sua casa, em sua modernidade, e aceita-a. Começa a ver a beleza escondida nos destalhes que ninguém consegue ver, por estarem presos naqueles passos rápidos de chegada ou partida.

O Terminal

"A vida está esperando..."


No filme O Terminal, Viktor Navorski (interpretado por Tom Hanks) viaja à Nova York, enquanto isso o governo de seu país sofre um golpe e seu passaporte perde a validade, deixando-o preso no aeroporto local. Sem poder retornar ao seu país, Viktor improvisa um "lar" no aeroporto.

Somente depois de meses sua situação é regularizada, neste tempo ele elaborou algumas adaptações para viver no terminal. Toda essa situação seria cômica se não fosse trágica, pois a transformação de um não lugar para lugar foi definitivamente nada convencional. Durante sua estadia foi preciso lidar com pessoas de vários países, totalmente estranhas e que estavam alí apenas de passagem. Foi preciso tentar fazer o espaço no terminal pelo menos um pouco familiar e menos hostil.

De certa forma essa situação é bem interessante. Na correria do dia a dia, passamos mais tempo em não lugares do que em nosso "lugar" de fato. Com toda essa modernidade fica difícil de se alinear apenas a um lugar, é praticamente impossível. Os não lugares estão de certa forma virando novos lugares reais e de convivio social, mas retornar ao seu lugar de origem é algo natural e inevitável.




quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mídia Locativa – Me procura no Foursquare que eu já fiz check in!

Há muito tempo atrás, em 1990 mais ou menos, era comum vermos pessoas usando mapas de papel para encontrar um determinado local. Nessa época, os mapas eram comprados ou distribuídos em centros turísticos. Na verdade, não faz tanto tempo assim, mas de uns anos para cá, foi quase extinto esse ato de pararmos para ler um mapa super complexo e estudar detalhadamente como chegar ao local e o que terá para nos esperar.


Com o surgimento da mídia locativa nossas vidas melhoraram bastante. É quase um produto Tabajara, a diferença é que funciona mesmo! Quem nunca usou o Google maps para encontrar o endereço? Ou para saber como chegar? De fato não temos mais dificuldade para ir a canto nenhum. Se você tem problemas em se localizar quando dirige, é simples; você compra um GPS (Sistema de Posicionamento Global) conecta ao seu carro, e aí na hora que você pensa que não sabe onde está ele lhe mostra que você não está perdido e ainda lhe dá a solução para ir aonde deseja. Antigamente isso seria chamado de mágica...


E o foursquare? O boom do momento. Nunca se imaginou que poderíamos nos conectar em um determinado local e ao chegar nesse ambiente fazermos um “check in”, que nos traz a possibilidade de saber quem está no mesmo local, fazendo o quê e até bater um papo. É como se estivéssemos uma estranha necessidade de mostrarmos aonde estamos a todo instante e de saber também aonde os outros estão.


As mídias locativas também são de grande importância quando queremos viajar. Hoje já chegamos ao local sabendo de tudo que está acontecendo naquele determinado momento. Entramos no site que desejamos, pesquisamos sobre o que está havendo na cidade e ainda temos acesso a transmissões em tempo real de como está o ambiente, se está chuvoso ou sol, frio ou quente.

Fico me perguntando o que seria de nós, nascidos praticamente nesse mundo sem fios, mas completamente interligado, sem essas mídias. Será que conseguiríamos nos locomover sem elas? É uma resposta que muitos de nós só saberemos responder, se vivêssemos essa experiência.


Cidade Ciborgue

As cidades ciborgues são cidades da ciber cultura, da utilização da internet nos mais diversos dispositivos (computador, celulares, satélites) como meio transportador de comunicação, mas não só isso, mas também como meio de transporte de diversos meios necessários para a manutenção de uma estrutura social, como saneamento, energia e iluminação.

O termo cidade ciborgue é muito complexo pois ele quebra as barreiras do estado físico, sendo composto também de redes de informações virtuais.

Mas para entendermos melhor, devemos primeiro recorrer ao termo “cidade”. Citando o autor André Lemos, vemos que cidades são na verdade um artifício de circunscrição, ou seja, de separação do natural onde homem tenta provar sua humanidade através desta maquina artificializante. Este processo não é próprio apenas da sociedade contemporânea, muito pelo contrario, a necessidade de artificialização do homem vem desde sociedades mais primitivas onde eram também utilizados mecanismos tecnosociais de separação. Ao falarmos de mecanismos tecnosociais podemos entender isto como a cultura. E o homem vê na cultura uma forma de negação do animalesco, uma forma de fugir da condição natural de existência.

Mesmo o homem sempre se utilizando de processos culturais desde da era primitiva para uma separação com o meio natural, é na cidades ciborgues que ele atinge o seu ápice. A sociedade entra em um novo patamar de complexificação, sofrendo um enorme processo de transformação com o advento de novas formas de tecnologias digitais.

Na cibercultura surgem questões como cidades virtuais, governo eletrônico, exclusão e inclusão digital, ciberdemocracia, isto é, as cidades sociais dando mais um passo rumo ao artificial e a total negação do meio natural.





Cidade Ciborgue

As cidades ciborgues são cidades da ciber cultura, da utilização da internet nos mais diversos dispositivos (computador, celulares, satélites) como meio transportador de comunicação, mas não só isso, mas também como meio de transporte de diversos meios necessários para a manutenção de uma estrutura social, como saneamento, energia e iluminação.

O termo cidade ciborgue é muito complexo pois ele quebra as barreiras do estado físico, sendo composto também de redes de informações virtuais.

Mas para entendermos melhor, devemos primeiro recorrer ao termo “cidade”. Citando o autor André Lemos, vemos que cidades são na verdade um artifício de circunscrição, ou seja, de separação do natural onde homem tenta provar sua humanidade através desta maquina artificializante. Este processo não é próprio apenas da sociedade contemporânea, muito pelo contrario, a necessidade de artificialização do homem vem desde sociedades mais primitivas onde eram também utilizados mecanismos tecnosociais de separação. Ao falarmos de mecanismos tecnosociais podemos entender isto como a cultura. E o homem vê na cultura uma forma de negação do animalesco, uma forma de fugir da condição natural de existência.

Mesmo o homem sempre se utilizando de processos culturais desde da era primitiva para uma separação com o meio natural, é na cidades ciborgues que ele atinge o seu ápice. A sociedade entra em um novo patamar de complexificação, sofrendo um enorme processo de transformação com o advento de novas formas de tecnologias digitais.

Na cibercultura surgem questões como cidades virtuais, governo eletrônico, exclusão e inclusão digital, ciberdemocracia, isto é, as cidades sociais dando mais um passo rumo ao artificial e a total negação do meio natural.





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